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Desabafos de uma mulher dos anos 80...

"A vida em constante mudança..."

Desabafos de uma mulher dos anos 80...

Qua | 16.09.15

As primeiras entrevistas em...França!

Butterfly

 Aeroporto de Lisboa, 5 da manhã. Desta vez, levava em mim uma sensação muito diferente da que era frequente. Os pais foram-me levar, ao contrário do dito "normal", preferi que me deixassem e que logo fossem embora. Não valeria apena mais tempo ali comigo. A sensação de "friozinho" na barriga começou. Desta vez não por ver alguém partir, mas sim por SER EU a partir. Olhar para trás e ver o "meu" carro a ir embora. Os pais olharem para trás e verem-me sozinha, com a bagagem atrás. Desta vez, até a bagagem foi diferente: Pouca roupa (muito pouca mesmo), roupa um pouco mais formal, dicionários, livros e computador. Sentia um misto de sensações: Triste por ter que ser assim, dividida entre família e a luta por uma vida melhor, feliz por ver que alguém olhou para o meu curriculum e lhe deu valor e... uma vez mais, revoltada com este nosso Portugal, que me viu nascer. 

 Ponho os pés em Paris, o misto de sensações e sentimentos continuou, no entanto, com tanto em que pensar e tratar, tive momentos realmente muito, muito bons. Pouco dormi, pois não havia tempo a perder. O importante era fixar-me no meu objectivo e nas minhas entrevistas. Preparei-me, simulei, li, ri e adormeci até ao momento de levantar e me fazer à vida.

 Buzinadelas, carros por todo o lado, lingua francesa pelas ruas, por todo o lado, e... pode parecer brincadeira, mas como fui tão cedo havia ruas em que o cheirinho a croissant se espalhava e me fazia sentir confortável. Nervoso miudinho até chegar o momento da primeira entrevista. 

 Entrei no edifício, Champs Elysées, e logo tive um sorriso bem esboçado por parte da recepcionista do prédio. Logo se aprontou a ajudar-me a encontrar o andar e a porta correcta. Uma sala com mais pessoas e uma assitente muito bonita veio atender-me. Preenchimento de formulário e blá, blá, blá... Chamaram-me ao gabinete para reunir com a pessoa responsável pelo meu recrutamento. Que calafrio! É agora. Isto está mesmo a acontecer. Impressionante a rapidez com que as coisas se estão a dar... "Faz precisamente um mês que comecei a enviar CV's e já agora estou em frança! E já "tive" que recusar entrevistas!" - Este era o pensamento que por vezes me vinha à mente. Entrei no gabinete, e contrariamente ao que estava à espera, a recrutadora foi muito simpática, compreensiva e...será que posso dizer... "acolhedora"? Sim, acho mesmo que essa é a aplavra correcta. Fiquei surpreendida com a organização, pontualidade e profissionalismo deles. Fiquei ainda mais motivada. Gostava de pertencer a esse grupo.

 Saí da entrevista e a sensação de alívio percorreu-me todo o corpo e só pensava que isto não está mesmo a ser em sonhos, é a mais pura das realidades. Agora, é concorrer para mais e mais, ser positiva com muita dedicação e tentar a minha sorte em mais... Estou a começar a perceber que o melhor mesmo é ir directamente para lá, e procurar trabalho lá.

 Eu cá estou de regresso ao meu lar, à minha zona de conforto, à minha cama, e ao meu cantinho...

 

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