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Desabafos de uma mulher dos anos 80...

"A vida em constante mudança..."

Desabafos de uma mulher dos anos 80...

Dom | 27.10.13

Emigração

Butterfly

Cada vez mais vejo conhecidos, colegas de faculdade, amigos e familiares a emigrar. Em alguns casos dói, dói muito. Também já pensei nessa situação para a minha vida… por sorte, destino ou simples casualidade fui recrutada para desempenhar uma função profissional relacionada com a minha área. Só o tempo dirá porque tinha de ser assim. Será que foi só o atrasar de um processo que terá de acontecer? Será que a minha vida terá mesmo de passar por este cantinho? Não sei… daqui a uns anos terei as respostas. Mas dizia eu, a emigração dói. Por mais que me digam: “ah e tal lá é muito melhor” (sim, bem sei que funciona muito melhor); “ah, lá o sistema do país funciona de uma forma exemplar” (também não duvido); “ah, e agora vou comprar isto ou aquilo” (concordo, afinal esforçam-se, só desejo que tenham o que ambicionam, do fundo do meu coração), mas por favor, não me venham dizer que é fácil, todos sabemos que - e por razões culturais que estão mais que enraizadas - o português tende muito a resistir à mudança, e se até no nosso país o é, como nos conseguimos adaptar a outra cultura num abrir e fechar de olhos?! Falo, com conhecimento de causa, como já devem saber, tenho um mano que emigrou já há alguns anos. Sei bem como foi, como tem sido e como é. O sofrimento por que todos passámos. Mas, para mim, a pior dor foi por ver e sentir que ele estava realmente triste por ter que partir e não estar com a família. O dinheiro não é tudo. Sempre foi o nosso lema. Mas infelizmente, o país encontra-se num estado mesmo caótico. Quando sabemos que vêm no dia X, é uma excitação, uma ansiedade, aquele desejo forte de lhe dar um abraço, aquele abraço que só ele me sabe dar, que me tranquiliza, que me faz sentir segura, a certeza de é um amor puro. Amor de irmãos. Quando se começa a aproximar o final das férias, começa a surgir e a instalar-se a melancolia… a tristeza… Desejamos parar o relógio, fingimos que não estamos tristes para não doer tanto. Mas pior mesmo, são as horas que antecedem a sua partida. Angustiantes, frustrantes, revoltantes, tristes… É o olhar para eles e pensar que tão bem me fazem, tão felizes que somos quando estamos unidos…e daqui a uma hora “tudo desparece”. Eles, e os seus pertences que tanto preenchiam a casa…já nada lá está. Seguiram a vida deles…foram para o cantinho que hoje lhes está a proporcionar uma vida melhor que aquela que poderiam ter por aqui… Felizmente hoje já aceita tudo o que a vida lhe deu, e hoje vemos que isso foi o melhor que ele fez. Sem dúvida alguma. Mas dói. Dói muito. Damo-nos melhor do que certos irmãos gémeos. Todos os 2 dias nos falamos. Há anos! É certo que esta nova geração de emigrantes em nada tem que ver com a geração de décadas anteriores. Temos o skype, temos o msn, há o facebook (para quem o tem, claro), há o telefone, há as mensagens multimédia… O que torna tudo mais fácil. Facilita um pouco, mas claro que não apaga a saudade, o contacto físico. O puder chegar a casa de um dia de trabalho e dizer: “olha, vou até ali à casa deles”; “olha que tal combinarmos um jantar?”; “olha, o Natal pode ser aqui e a passagem de ano aí?” (esta última até é válida, desde que haja um porco mealheiro gordinho e disponibilidade profissional, sim até é possível). Admiro muito, mas muito mesmo, quem toma a decisão de abandonar o país que os viu nascer. Admiro muito o português que vai embora e se adapta a um país, a uma cultura que não é sua, mas que por fim, passa a trata-la como sendo sua. Acarinha o país. Tem de ser. Ou é assim, ou estará frustrado todos os dias. A deprimir, a interrogar-se “porque é que a vida tem de ser assim?”. É por saber que não é um processo fácil que tanto os admiro. Confesso, admiro os nossos emigrantes e também alguns dos naturais que acolhem os “nossos” nos países deles. Bons e maus existem em todo o mundo. Já não temos 18 anos há algum tempo e todos sabemos que a perfeição não existe. Por mais que se queira tudo perfeito. (E eu aqui contra mim falo: Sempre fui muito perfeccionista, mas felizmente é coisinha que ao longo dos anos tem mudado e muito). A vida é assim e ponto final.



 Uma coisa vos digo: O nosso lar é onde nós estivermos. E a todos aqueles que pensam em emigrar, desejo-vos o maior sucesso e, pés sempre assentes na terra. A todos aqueles que já foram, desejo também sucesso, que sejam felizes, e que nunca se esqueçam das suas origens… 



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